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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Sobre Historia



A HISTÓRIA REGIONAL LUGAR DE REENCONTRO COM O SUJEITO SOCIAL.

            O século XX foi marcado pelo intenso debate em todas as áreas do campo do saber, esses surgem a partir do conflito gerado pela falta de identidade, de ter um modelo em que se espelhar, agravado por este não conseguir um norte balizador na direção de quem ou como seria este sujeito.
            Analisando a movimento de reflexão e ação do homem, percebemos que ao longo da construção do sujeito, enquanto ser social, busca-se nas instituições do seu tempo histórico tal paradigma, o sujeito enquanto fruto de uma construção história. Desta forma ainda no período medieval, antes mesmo de um pensar moderno sobre o conceito de sociedade, esta identidade se centrava nas instituições morais religiosas e em seu espaçamento geográfico, organização interna e cultura distinta, até então definidos pela sua limitação na locomoção; transito de informações e ideias, estas subordinadas ao conhecimento teológico sobre a razão.
            Com o advento da modernidade e a gradativa substituição da moral religiosa pela moral do capital o sujeito passa a identificar-se com a forma o tempo, o capital e a mercantilização dos valores, características do período.
            Agora, após o homem iniciar o processo de dominação do novo mundo, as limitações geográficas, as contenções da informação são meros detalhes. Está instalada a globalização. O homem, voltado para ele como medidas de todas as coisas, nítida influencia dos ideias iluministas,  passa a enxergar-se ilimitado, vê o progresso a qualquer custo, dominou a natureza através da máquina. Não apenas o trabalho do homem, mas o domínio da natureza passam a controlar o imaginário, sendo este tão forte a ponto do homem do inicio do século XX deslumbra-se e pensar que o avanço técnico e o deslumbramento seriam infindáveis.
            Partindo dos pressupostos de maior abarco das informações, da formação de aldeias globais, das restrições das fronteiras, da maior dependência entre as diversas regiões, percebemos que a construção do sujeito, enquanto ser social passa a ser cada vez mais homogênea, tendendo para uma coisificação do homem, perdendo a identificação com o próximo, com as características que o cercam. Tais apontamentos são confirmados pela ideia de MARTINS (2009) “num futuro não muito longínquo e a despeito das especificidades sociais e das crises históricas, convergiriam para padrões muito similares de instituições econômicas, políticas e culturais.”.

            No entanto, em meados do século XX, por volta das décadas de 1960-70, os primeiro movimentos questionadores de tal ordem vigente, a ideologia do capital passa a vender sonhos, a homogeneização surgem no cenário e a uniformização tendem a estar entre eles, propagadas pelo consumismo passa a ser duramente criticada. A abertura do processo educacional e o maior conhecimento sobreo seu próprio lugar propiciam tais questionamentos. A juventude e suas reivindicações refletiam o mal- estar e a insatisfação dos estudantes contra uma sociedade que eles consideravam hipócrita, ao mesmo tempo em que expressavam sua vontade de autonomia e de transformação. As lutas por espaços até então restritos a uma elite dominadora, são colocados em cheque.
            Depois de algumas décadas ainda temos muitos destes questionamentos não respondidos, o sujeito pós-moderno ainda molda a sua identidade, a juventude ainda carece de um modelo que possa dar as bases para a universalização de uma identidade ao mesmo tempo em permita que as diferenças sejam respeitadas. No campo da historiografia, padecemos do mesmo mal, tanto que a própria historia passa por reformulações, sendo que em muitos aspectos busca na história do lugar seu ponto de apoio. O cotidiano, a memoria coletiva, o lugar são bases para o rememorar e  também afirmar este sujeito que precisa encontrar no seu entorno sua identidade principal, para depois identificar-se com o macro.


REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BITTENCOURT, Circe. Ensino de História: fundamentos e métodos. São Paulo: Ed. Contexto,1999.

BURKE, Peter. A Escola dos Annales (1929-1989): A Revolução Francesa da Historiografia. São Paulo: UNESP, 1997.


MARTINS, Marcos Lobato. História Regional In: PINSK, Carla Bassanezi (org) Novos temas nas aulas de história. São Paulo: Contexto, 2009.



 

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