A
NOÇÃO DE IDENTIDADE NA HISTÓRIA REGIONAL
A conceituação de
identidade tornou-se necessária frente a ampliação dos objetos de estudo da história. No entanto
a problematização, ao explorar o conceito, vem à tona quando, nesse processo de
construção do que convencionou-se chamar de identidade, percebemos, na verdade,
o paralelamento de uma identidade de uma determinada região que se sobrepõe a
outra.
Não queremos, contudo,
dizer que esta ideia de uma identidade universal não seja positiva. A questão a
ser levantada e debatida é a que a identidade unitária, coletiva ou maior, que
se tornou o anseio em situações como a crise de paradigmas hoje vivida é, em
grande parte, causada pela adoção de um modelo de subjugação de uma identidade
regional em detrimento de outra.
Isto é recorrente na
historiografia brasileira, especialmente pelas dimensões continentais de nosso
país, sendo as identidades relegadas a submeterem-se a este modelo. Esta absorção
se dá através do conhecimento restrito do meio, que faz com que seja adotada o
conjunto ideológico de influências da politica, da economia, dos costumes de
regiões que foram privilegiadas pela historiografia tradicional.
Outro ponto a ser
levantado e debatido é que, o conceito de identidade passará pela compreensão
das múltiplas identidades que são geradas pelo prisma do multiculturalismo que
encontra evidencias na analise da historia do ponto de vista região. Ao enfatizarmos a questão de uma
identidade ampla composta por identidades diversas entendemos que esse conceito
ideológico poderá será entendido como um dos anseios do homem pós-moderno, no
que tange a sua busca por ter algo a que se identificar, pois temos uma ideia
universal de identidade, ao mesmo tempo permite-se respeitar as
individualidades.
Isto será possível se
tomarmos por base a “... definição filosófica, a qual agrega conceituações
antropológicas e psicológicas, (...) define identidade como o caráter do que
permanece idêntico a si próprio; como uma característica de continuidade( silva
e silva, 2006. P 202).
(...) o conceito
de identidade é muito importante para a compreensão do mundo globalizado, em
que o enfraquecimento dos Estados Nacionais tem gerado a fragmentação das
identidades nacionais e o ressurgimento de outras identidades, de gênero,
etnias, justamente dessa fragmentação. Nesse sentido, é possível estudarmos as
identidades com bases em muitas premissas (...). Essa Antropologia estuda a
identidade em seu caráter relacional, ou seja, uma identidade se constrói a
partir do encontro com os outros. ( SILVA E SILVA 2006P.2004)
Destarte a identidade
pessoal seria a manutenção dessa percepção ao longo do tempo, partilhando desta
essência em um grupo de indivíduos formaria a identidade cultural. A
importância deste entendimento é perceptível nesse caldeirão de diferenças e
necessária ao encontro com o eu, indivíduo, com a coletividade. A história
regional caberia a correlação entre as dimensões da realidade local, regional e
global, o conhecimento local serve para que o sujeito tenha consciência do que
são suas bases estruturais e sociais. Para tanto, compreendemos que o
entendimento sobre a historicidade do entorno promoverá o intercâmbio entre os
saberes globais e locais em situações mais próximas e familiares momento em que
o indivíduo se tornará, conscientes e identifique-se com essa história.
SILVA, Kalina
Vanderlei e SILVA, Maciel Henrique Dicionário
de conceitos históricos. 2ª ed. São
Paulo: Contexto, 2006.
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