O cotidiano torna-se
caro a analise histórica por caracterizar o espaço das pequenas transformações, onde
o sujeito faz a sua mudança. Este conceito a pesar de não ter uma base
concreta, surge como uma das potencialidades no campo das ciências humanas,
nele o sujeito é ator, exprime suas características, capacidades cognitivas,
sentimentais, constrói e desfaz relações, trabalha e mantem uma vida privada.
Como afirmam as palavras de Agnes Heller:
A vida cotidiana
é a vida do homem inteiro; ou seja, o homem participa na vida cotidiana com
todos os aspectos de sua individualidade, de sua personalidade. Nela, coloca-se
“em funcionamento” todos os sentidos, todas as suas capacidades intelectuais,
sua habilidades manipulativas, seus pensamentos, paixões, ideias, ideologias. (1985,
p.17)
Ou seja, o traçado da história perpassa pela vida
cotidiana, esta como centro do fazer histórico, substanciando essa escrita,
este lugar de encontro do individuo. Dela partem, mesmo que não percebamos de
imediato, os fatos que influenciam a historia de toda uma sociedade e
posteriormente a ela retornam.
Ao quebrarmos a ideia do cotidiano visto como o
lugar isolado e monótono daremos condições de enxergar o individuo ator e
construtor, permitindo enquadrar este como o espaço de invenção como enfatiza
Silva e Silva ao analisar a obra de Certeau:
Michel de
Certeau, por exemplo, pensa o cotidiano como o lugar da invenção. Para ele, as
pessoas comuns, em seu anonimato, em sua invisibilidade, possuem imensa
criatividade para elaborar práticas cotidianas que as fazem interpretar o mundo
a seu modo e forjar microrresistências e microliberdades que se opõem as
estruturas de dominação dos poderes e das instituições. Para Certeau, o
cotidiano só pode ser pensado como um lugar prenhe de interpretações, de
desvios que transformam os sentidos reais em sentidos figurados. Dessa forma,
as pessoas comuns podem, no cotidiano, subverter a racionalidade do poder,
agindo de forma sub-reptícia e engenhosa (2006,p.77)
Ao pensarmos na história do cotidiano como este
campo de reflexão e ação inserimos o sujeito em uma auto analise ao seu
entorno, compreendendo desta maneira a intima relação com as questões
culturais, socioeconômicas, políticas de seu tempo.
Já a memória está nos alicerces da história, mas que
impressões dos fatos acontecidos a memória pode ser entendida como um lugar de
reencontro esta é inseparável da história. No entanto o que seria interessante
na busca por essa identidade é além do reconhecimento da memória do individuo,
seria a memória coletiva. Esta extremamente pertinente ao processo de
entendimento que se almeja.
A memória entendida por coletiva fundamenta o
próprio conceito de identidade do grupo e ou comunidade, pois é através da
reação do individuo que recupera -se o que estava esquecido, sendo uma memoria
individual que pode foi forjada em uma coletividade e que pode ser reveladora,
ao demonstrar que a reflexão em torno da memória torna-se “uma oportunidade para refletir sobre a
capacidade de produção do conhecimento do passado, e sobre como essa capacidade
difere de povo para povo.” (Silva e Silva 2006. P, 279). Ainda nessa linha
Bittencourt enfatiza:
A questão da
memória impõe-se por ser à base da identidade, e é pela memória que se chega à
história local. Além da memória das pessoas, escrita ou recuperada pela
oralidade, existem os “lugares de memoria”, expressos por monumentos(...). Os
vestígios do passado de todo e qualquer lugar, de pessoas e de coisas, de
paisagens naturais ou construídas tornam-se objeto de estudo. (2008, p.169)
Portanto o evocamento da memória e seu
confrontamento e sua minuciosa analise será caminho fértil para o embate com as
abordagens maiores e até mesmo sua reflexão, no constante processo mutável da
identificação com o ser pós - contemporâneo.
BITTENCOURT, Circe. Ensino de História: fundamentos e métodos. São
Paulo: 2ª ed. Cortez,2008.
HELLER, Agnes. O
cotidiano e a história. São Paulo: Paz e Terra, 1985.
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