Este é um trecho do meu trabalho de conclusão de curso, procuro mostrar que a revalorização da identidade local
O debate sobre a historiografia possibilitou a ampliação dos campos e territórios do historiador, e por conseqüência o ensino de História. Assim a perspectiva da História Regional enfatiza a necessidade de pesquisarmos espaços e contextos que ficam esquecidos, sendo valorizados somente aspectos históricos nacionais ou temas já consagrados.
"A história regional passou a ser valorizada em virtude da possibilidade de fornecimento de explicações na configuração, transformação e representação social do espaço nacional, uma vez que a historiografia nacional ressalta as semelhanças, enquanto que a historia regional trata das diferenças e da multiplicidade. A história regional proporciona, na dimensão do estudo do singular, um aprofundamento do conhecimento sobre a história nacional, ao estabelecer relações entre as situações históricas diversas que constituem a nação." (BITTENCOURT, 2008, p. 161)
Segundo Martins (2009) podemos enumerar três fatores que contribuíram significativamente para a homogeneização das macro-abordagens:
O primeiro deles deriva do deslocamento da posição da região em favor da economia global; outro vetor seria a constituição e consolidação do estado moderno, ambos ligados pelo momento histórico contribuíram para os esforços de fortificação do estado Nacional em detrimento do grupo familiar, regional e da organização religiosa. O terceiro seria o Iluminismo, com seu ideal de progresso.
Todas essas modificações corroboraram para a desestruturação não só da região, mas como de todos os países que se inseriram dentro deste contexto.
[...] Essas diferenças se manifestam tanto na cultura e nas instituições quanto no espaço. Uma dialética complexa de uniformização versus diferenciação e marca da globalização capitalista. De modo mais preciso, há homogeneização do espaço capitalista, mas ela ocorre no interior e através da reorganização dos espaços regionais. (MARTINS, 2009, p. 138-139)
O estudo sobre a história regional leva à revalorização da memória e da identidade, pois buscam agora se “descoisificar” o homem para que novamente sintam-se sujeitos: as pessoas querem voltar a viver em lugares. O estudo da região é, portanto, uma fonte riquíssima de entendimento ao ser histórico.
Martins (2009, p. 143-144) que aponta evidências que se destacam na conceituação de região:
Em primeiro lugar, a região - um determinado recorte da superfície terrestre- é espaço político, técnico e cultural. Em segundo lugar, para pensar a região é necessário ultrapassar o puro dado material, a paisagem natural na direção do espaço vivido. Por si sós, relevo, clima, vegetação, hidrografias e ecossistemas não são suficientes para definir uma região [...]. Em terceiro, a região precisa ser vista como uma totalidade aberta em movimento, atravessada por fluxos de energia, matérias (como água, sedimentos, partículas trazidas pelo vento, resíduos de atividades humanas) [...]. Em quarto lugar, o recorte da região precisa levar em conta a totalidade do espaço segmentado e definir o nível em que se fracionará o espaço (o problema da escala), bem como as variáveis que prescindirão o fracionamento dos espaços.
Bittencourt (2008, p. 162) também ressalta este caráter quando fala que:
O conceito de região tem sido revisto pelos geógrafos, que ultrapassaram o entendimento de “região natural”, composta de um conjunto de elementos naturais homogêneos na hidrografia, vegetação, clima, relevo, para chegar a uma concepção mais voltada para a forma pelas quais os homens organizam o espaço tornando-o particular dentro de uma organização econômica e social mais ampla.
Não se trata simplesmente da História que lida com pequenas porções de um país, uma área determinada pela geografia física, mas de sua abrangência sobre a economia, sociedade, demografia, cultura, política e a historicidade de todos esses agentes.
A crise de paradigmas hoje vivida é, em grande parte, causada por um conhecimento restrito do meio, onde se vive da influência da mídia, da falta de tempo dos pais que deixam suas responsabilidades sob a tutela da escola, a qual é deficitária.
Através de uma correlação entre as dimensões da realidade local, regional e global, o conhecimento local serve para que o aluno tenha consciência do que são suas bases estruturais e sociais. Para tanto faz se necessário a concretização de conteúdos curriculares que promovam o intercâmbio entre os saberes globais e locais em situações mais próximas e familiares do aluno, nas quais se incluam as do trabalho e do exercício da cidadania. Nesse contexto, os estudos históricos regionais desempenham um papel importante, na medida em que contemplam pesquisas e reflexões das representações construídas socialmente e das relações estabelecidas entre os indivíduos, os grupos, os povos e o mundo social, em uma época.
O ensino da História regional, mostra que este sujeito deixará de ser um espectador para se tornar agente construtor-modificador, afinal este em nada vai atuar ou construir se não souber no que está inserido. E este entendimento, enquanto ser social, modificador, parte do entendimento do local, do que é seu, do encontro com sua própria identidade, essa construída a partir do que vê e não do que lhe impuseram, através de um curriculo estruturado e de profissionais com formação adequada para esta disciplina.
(mas enquanto isso não acontece vou disseminando minhas ideias por aqui e eles, que acham que entendem de educação, mas não tiram seus traseiros da cadeira e acham que sabem lidar com nossas crianças, vão empurrando com a barriga. INFELIZMENTE)
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